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Auditoria: Evolução com Ética, Responsabilidade, Independência, mas sem Bola de Cristal.

Antigas histórias remontam a existência das cartomantes e videntes, que através de “habilidades ou dons”, utilizavam bolas de cristal e outros acessórios para preverem o futuro. Algumas pessoas ainda recorrem a estas “senhoras”, na busca da solução de problemas pessoais.

Entretanto, no mundo dos negócios, prever o futuro é uma tarefa um tanto quanto complexa, e previsões influenciam diretamente no estágio atual e futuro de determinados segmentos.

Famosos gurus, principalmente americanos, dominam a previsibilidade mundial dos negócios, indicando tendência a partir do comportamento da maior e mais desenvolvida nação capitalista, os Estados Unidos. Lá as coisas acontecem numa velocidade incrível e, portanto, estão na frente das demais nações, que compram e imitam os seus modelos de gestão e idéias revolucionárias como reengenharia, downsizing, turnaround e por último e-business. Na verdade o e-business é composto por diversas categorias como, por exemplo, e-engineering, e-banking, e-learning, e-directories e e-commerce. Identificados pelas empresas pontocom (.com), são as sensações do momento.

A chegada e as práticas adotadas pelas empresas pontocom (.com), estão revolucionando, e mudando a forma de pensar e de agir da maioria das empresas, e principalmente do estilo de concorrência. Empresas de pequenos e grandes portes, tradicionais e recentes, concorrrem num mesmo mercado, oferecendo, na maioria das vezes, um mesmo produto ou serviço, a uma mesma gama de cliente.

Hoje, no e-commerce, quem faz a opção é o cliente, através da opção de visita a determinados sites. O ato de escolher um endereço e acessá-lo (www. _________. com) significa uma oportunidade de negócio, e deve ser aproveitada e gerida pelas empresas, da melhor forma possível.

O cliente deve ter a segurança de estar “comprando” de uma empresa sólida, que entregará o produto dentro prazo combinado, nas condições corretas, e principalmente que suas informações cadastrais e o número do seu cartão de crédito, não caiam em mão erradas.

E é aqui que aparece a figura das Auditorias. Antes responsáveis pelo “Parecer (opinião)” sobre a adequação das Demonstrações Contábeis quanto aos Princípios Fundamentais de Contabilidade, Normas Brasileiras de Contabilidade e legislação específica, agora vêem, a extensão da sua responsabilidade e do seu risco, em função da evolução e informatização dos negócios.

Entendo que a auditoria tem agora dois focos bastante complexos neste contexto:

 O primeiro deles é o “Parecer” sobre as Demonstrações Contábeis das empresas pontocom, cuja velocidade de transformação e incertezas tornam maior o risco de auditoria¹. O The Wall Strett Jornal divulgou, recentemente, uma relação de 10 empresas, cujo Parecer não apontava problemas de continuidade, e que faliram em menos de 12 meses após o trabalho de auditores. Na seqüência fomos surpreendidos com o escândalo envolvendo grandes empresas americanas e seus balanços fraudados (no Brasil tivemos dois casos semelhantes de duas grandes instituições financeiras).

O segundo, é quanto à avaliação das políticas de segurança adotadas pela empresas pontocom(.com),  a avaliação do risco envolvendo o “ambiente empresarial”, e a transferência desta segurança para o público em geral pelas auditorias.
De acordo com pesquisas americanas, a maioria das pessoas que faz ou pretende fazer negócios pela internet está preocupada com a segurança das informações pessoais digitadas nos sites dos fornecedores. Não faltam exemplos clássicos de atuação dos hackers, piratas da internet, que já conseguiram invadir computadores e acessar bancos de dados de grandes empresas e órgãos públicos.

Neste momento, tudo que envolve auditoria deve e está sendo repensado. Desde a composição das unidades didáticas dos cursos universitários, que envolvem a formação dos auditores, as normas de atuação e os procedimentos, passando pelos cursos e treinamentos suplementares chegando até o risco da auditoria provocado, principalmente, pela ética.
Devemos sim, nos preparar para atuar nesta nova dimensão, tendo o cuidado de transmitir aos usuários e contratantes dos nossos serviços, os riscos existentes nesta ou outras formas de se fazer negócios. Infelizmente, tanto no mundo real quanto no virtual, existem indivíduos buscando oportunidades de benefício próprio, utilizando métodos ilegais.

O certo é que, nós auditores, não temos bola de cristal e não poderemos aceitar a responsabilidade, única e exclusiva, pela ocorrência de fraudes provocadas por pessoas inescrupulosas que, fatalmente, já agem no mundo real e, também, virtual dos negócios.

Estamos no momento de mudança, mas a ética, a responsabilidade e a independência dos auditores devem prevalecer e nortear, como sempre foi, a nossa atuação profissional.
Villela & Associados - 031 3025-9550